Último dia de Carnavália busca soluções para crise no Carnaval do Rio

Carnavália 2017. Foto: Max Gomes

Carnavália 2017. Foto: Max Gomes

A Carnavália-Sambacon chegou ao fim. Foram três dias de exposições e debates que discutiram o futuro do Carnaval em várias regiões do Brasil, com destaque para a cidade do Rio de Janeiro, que tem sido notícia por causa das recentes decisões da prefeitura da cidade. O evento foi realizado de 13 a 15 de julho no Centro de Convenções SulAmérica, no Centro do Rio de Janeiro.

Para compor a mesa que discutiu os efeitos da crise econômica no Rio estavam Jorge Castanheira, presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro (Liesa); Déo Pessoa, presidente da Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Lierj); Mario Filippo, vice-presidente da Riotur; Rita Fernandes, presidente da Sebastiana; Cristina Fritsch, presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagem do Rio de Janeiro (ABAV-Rio); Laura Carneiro, deputada federal (RJ) e Fernando William, vereador do Rio de Janeiro. O debate foi mediado pelo jornalista Sidney Rezende, diretor do site SRzd.

Sidney Rezende na Carnavália 2017. Foto: Max Gomes
Sidney Rezende na Carnavália 2017. Foto: Max Gomes

Sidney Rezende iniciou o debate com a sugestão de que a mesa buscasse uma conciliação sobre o tema principal, além de oferecer soluções para as mais distintas áreas desta grande festa. Antes de passar a palavra para as autoridades participantes, o jornalista deixou um questionamento: “É possível criar um novo modelo de Carnaval? É possível nós acharmos um outro caminho para ajustar o que não está funcionando? Qual é o modelo para o Carnaval 2018?”, perguntou.

Mário Filippo na Carnavália 2017. Foto: Max Gomes
Mário Filippo na Carnavália 2017. Foto: Max Gomes

O vice-presidente da Riotur, Mario Filippo, respondeu o questionamento com comentários sobre os desafios de promover o Carnaval e de conquistar o interesse do setor privado para investir nos eventos. “A discussão acontecendo, a polêmica acontecendo, tem que ter muita serenidade para preservar a essência disso tudo. A gente não pode prejudicar as reuniões com os órgãos, o planejamento das escolas […], mas a gente tem que preservar a relevância desse fato. […] Temos que garantir, eu acho que esse é o nosso desafio, um ambiente propício e facilitado para que os blocos possam desfilar na rua, para que as escolas possam desfilar no Sambódromo. E é nesse rumo que a gente está seguindo”, afirmou.

Rita Fernandes na Carnavália 2017. Foto: Max Gomes
Rita Fernandes na Carnavália 2017. Foto: Max Gomes

Já Rita Fernandes, presidente da  Sebastiana (liga que representa os blocos de rua do Carnaval do Rio), mencionou os valores que o Carnaval gera de retorno para a cidade do Rio de Janeiro e reclamou de como a gestão pública tem tratado o evento ao longo dos últimos anos. “Carnaval no Rio é muito importante, significa uma cadeia produtiva muito séria e que tem que ser tratada não como modelo, mas como uma política de Carnaval. Não existe uma política de Carnaval. O modelo não nos atende”, comentou.

Déo Pessoa na Carnavália 2017. Foto: Max Gomes
Déo Pessoa na Carnavália 2017. Foto: Max Gomes

Déo Pessoa, presidente da Lierj, expôs duas situações que podem dificultar os desfiles da Série A do Rio: a possibilidade de cortes da subvenção da prefeitura para a Série e a possibilidade de diminuição do valor pago para a transmissão dos desfiles. “[A emissora de televisão] está passando também por esse momento de crise. Infelizmente, a gente está dentro do momento de renovação de contrato. Venceu o contrato de cinco anos e a gente está para renovar. E a TV, que é parceira nossa de transmissão, está com dificuldades de valores”, explicou.

Cristina Fritsch na Carnavália 2017. Foto: Max Gomes
Cristina Fritsch na Carnavália 2017. Foto: Max Gomes

No âmbito do turismo, a presidente ABAV-Rio, Cristina Fritsch, destacou os problemas de segurança que a cidade enfrenta. “A gente está aqui para trazer turistas. O problema é que a gente precisa de uma cidade preparada para receber o turista. A gente tem um problema sério de segurança e acho que é o que temos que trabalhar. O que está embarcando o crescimento do turismo na cidade é a questão de segurança”, afirmou. Cristina Fritsch também lembrou o corte na subvenção oferecida pela prefeitura e ressaltou a repercussão que a notícia teve. “É muito difícil porque estamos com um Estado falido. Uma prefeitura com uma gestão que ainda não começou a acontecer. O momento em que foi falado que existirá um corte de 50% na verba das escolas de samba pela prefeitura foi bombástico. Isso no mundo inteiro repercutiu como ‘não vai haver Carnaval no Rio de Janeiro'”, comentou.

Jorge Castanheira na Carnavália 2017. Foto: Max Gomes
Jorge Castanheira na Carnavália 2017. Foto: Max Gomes

A partir dos depoimentos anteriores, o presidente da Liesa, Jorge Castanheira, revisitou dados da arrecadação de renda do Rio de Janeiro por meio do Carnaval e voltou a tocar no assunto do corte da subvenção da prefeitura. “[Foram] cinquenta por cento de corte em um momento que já perdemos um milhão de reais da Petrobras e 500 mil reais do governo do Estado há dois anos. Já enxugamos tudo que tínhamos que enxugar. Daí o indutor maior, que é o município, que arrecada e se beneficia da imagem no mundo inteiro de um espetáculo construído com muito sacrifício pelas escolas de samba, de repente sinaliza com essa situação e não estava nos recebendo. Então nós pedimos socorro à Comissão do Turismo que tinha sido instalada para falar sobre situações do Carnaval passado e que se deparou com um assunto muito mais grave: a possibilidade de não ter desfile das escolas de samba”, explicou.

Laura Carneiro na Carnavália 2017. Foto: Max Gomes
Laura Carneiro na Carnavália 2017. Foto: Max Gomes

As participações da deputada federal Laura Carneiro e do vereador Fernando William contribuíram para o aprofundamento do debate no campo de atuação do poder público. Laura Carneiro salientou que já estão sendo tomadas medidas para garantir a receita financeira do Carnaval de 2019. “Na Lei de Defesas Orçamentárias, que é a lei que vai dar as diretrizes para redigir o orçamento geral da União, a gente conseguiu modificar dois artigos. Um que proibia que o Ministério do Turismo se utilizasse de verbas para repasse direto. Só o Ministério da Cultura podia fazer isso. A partir de 2018, o Ministério do Turismo também poderá fazer. Criamos uma meta de qualificação e promoção do turismo específica para a questão do Carnaval. Fizemos uma outra emenda obrigando o Governo [Federal] a pagar todas as emendas até julho. A nível federal, fizemos tudo que podia ser feito”, comentou.

Fernando William na Carnavália 2017. Foto: Max Gomes
Fernando William na Carnavália 2017. Foto: Max Gomes

Já o vereador Fernando William discorreu sobre fazer o Estado reformular seus investimentos e evitar gastos desnecessários para que possa usar sua receita financeira corretamente. “Ou este país muda ou quebra. Eu sou um eterno otimista e acredito que a gente vai transformar esse ovo quebrado numa grande omelete. Então, eu acho que estamos diante de uma oportunidade. Havia gastos com gordura, então vamos tirar as gorduras. As contas estavam sendo prestadas da forma adequada? Se não estavam, vamos começar agora prestações de contas adequadas para que não haja desvio de recursos públicos”, afirmou.

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srzd



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