CHAT FOLIA: Arco Íris promete um desfile de fácil leitura e traz um Preto Velho para contar o enredo

Chat folia – Arco Íris – UESM

Por Luciano Breitenbach

E chegou a vez dela, diretamente do Pará para o chat folia, Arco Íris. A escola que em 2017 fez um dos desfiles mais comentados e elogiados do ano, da União das Escolas de Samba de Maquete, aposta novamente em um carnaval de muitas cores e estreia no Grupo de Acesso A trazendo um enredo sobre a formação da cultura brasileira. Confira abaixo o que o presidente e carnavalesco Eduardo Wagner prepara para 2018.

No fim de 2017 a Arco Íris anunciou seu enredo e fez uma explanação do que será abordado. Aparentemente parece um tema complexo. Estou enganado?
Não, não. É realmente um tema complexo. Precisa ter a sinopse lida e defesas na Planta Baixa também. Há duas dimensões para o enredo. A primeira é o tema principal: a formação da cultura brasileira a partir de suas três matrizes principais – indígena, europeia e africana – com enfoque na religiosidade e na festa como prática cultural e social. A segunda, diz respeito ao modo de contar essa história, que é o momento da carnavalização da coisa. O enredo é contado por um personagem, que fala da cultura brasileira comparando esta ao que aprendeu, viu e viveu nas escolas de samba de Belém. Parece complicado, mas depois de ler a sinopse e assistir ao desfile fica fácil.

E que personagem será este que contará o enredo?
Uma célebre persona de uma das escolas mais antigas de Belém, o Império de Samba Quem São Eles. Se chamava Davi Miguel, grande benemérito da escola. Morreu há alguns anos. No enredo ele revive como um Preto Velho, entidade sábia da Mina e da Umbanda.

É um enredo que traz bastante informações. Nesse sentido, como está sendo trabalhada a plástica da escola?
É verdade. Na realidade, costumo fazer enredos com aparência de complexos, com muitas informações, por conta de minha formação como professor. É quase inevitável (risos). Mas o carnaval permite transformar isso em delírio, em fantasia e poética carnavalesca. A visualidade do desfile é fácil de ser lida, apesar disso. O desfile possui uma abertura, com a chegada do preto Velho que vai contar a história. Um setor indígena, um africano e um português. Cada um com elementos de fácil percepção, leitura e interpretação. E pelo meio os que precisam da leitura da sinopse e dos textos explicativos. O último setor, das festas, também é fácil de entender, com elementos visuais de percepção rápida.

Um desfile de muitas cores? Digamos, “a lá Arco Íris”? (risos)
(Risos) Olha! Tem bola de cristal aí? Sim, um desfile de muitas cores, mas desta vez procurei criar blocos de cores. O setor indígena, por exemplo, tem o verde como pano de fundos. O mesmo acontece com os demais setores. E, sim, há uma ala arco íris (uma das minhas preferidas, mas é segredo).

Segredo? Seria a surpresa?
Exatamente!

Não pode nem dar uma dica?
O legal é entender o que a ala representa, que é a bateria. Ela é o arco íris da Arco Íris! Até aí já é bacana, mas o melhor é o significado dela no enredo e durante o desfile. Apenas é preciso saber que a bateria representa a cultura brasileira, em toda sua diversidade de nuances e possibilidades, tal como um arco íris, um único fenômeno composto por uma variação infinita de cores, das quais só conseguimos perceber sete.

E qual foi o maior desafio para este carnaval?
Com toda certeza fazer em cinco meses um trabalho que no ano passado foi realizado em sete e, ainda, com o aumento de quantitativos de alas, alegorias… Pesquisa, confecção, filmagem e edição. Tudo isso faço sozinho! E dá muito trabalho! Também tenho que conciliar com os afazeres domésticos e com a vida como professor em pleno processo de doutoramento. Muito tenso! Em dezembro achei que nem conseguiria terminar o desfile, mas deu tudo certo! Criei uma série de processos que facilitaram a coisa toda e consegui bem antes do prazo limite! (ufa!)

A sua formação acadêmica e área de trabalho contribuem muito para o desenvolvimento do carnaval da Arco Íris. E o trabalho realizado com a escola, você consegue levar para dentro do campo acadêmico?
Com toda certeza! Eu costumo dizer que sou um carnavalesco que se tornou professor de Artes, porque foi exatamente isso que aconteceu. Estudar Artes foi motivado por minha vivência com o carnaval das escolas de samba. Minhas aulas se apropriam de muitos fatos, desfiles, curiosidades para o ensino da História da Arte. Com a Arco Íris não poderia ser diferente. A escola se tornou conteúdo nas aulas, não só ela, mas as demais da UESM.

Mas voltando ao desfile, quanto ao carnaval do ano passado. A escola não teve nota máxima em vários quesitos, mesmo assim foi vice-campeã. Como você avaliou isso, influenciou em mudanças para 2018?
Em algumas coisas sim. Porém, as notas do ano passado e, principalmente, suas justificativas deixaram um grande embaraço quanto à subjetividade da avaliação. Em evolução, por exemplo, “houve falhas”, nada mais para saber que falhas ocorrem. Ou em enredo, quando um dos jurados descontou um décimo por achar que a letra do samba falava mais em Monteiro Lobato – sendo que samba enredo e enredo são quesitos diferentes e samba, na UESM, não é quesito, tão pouco deve ser usado para avaliar enredo. Minha avaliação foi pontual quanto às notas. No entanto, jurados são jurados em qualquer modalidade de desfiles de escolas de samba. Alguns são técnicos e embasados, outros superficiais e constroem sua avaliação sobre juízo de gosto (erro grave e primário). Mas é assim no Rio, São Paulo, Belém… Dentro de uma normalidade, que não agrada, mas normal. O que me deixou bastante satisfeito foi a receptividade do público da UESM, de amigos, alunos, colegas de trabalho e familiares. O desfile, à parte da avaliação de alguns jurados, foi extremamente bem aceito por muitos e isso é imensamente recompensador. Da mesma forma, o segundo lugar foi bem recebido, com um pouquinho de cara de primeiro.

 

Participe, inscreva sua escola pelo email: [email protected]

*em colaboração voluntária ao SRzd

Comentários




mais notícias

    gl