Eike Batista aceitou a piscadela do Diabo

Eike Batista não é de carne e osso.

A dúvida é se ele saiu das páginas de um conto de fadas tipo “pobre menino rico” ou se ele é um personagem de cinema interagindo conosco como se fosse um de nós. Sei lá, a tecnologia anda tão avançada…

Mortal, como nós, ele não é. É melhor aceitarmos as coisas desta forma. Dói menos.

Como é possível alguém há 4 anos ser o sétimo homem mais rico do planeta com a bagatela estimada em  US$ 30 bilhões e simplesmente reduzir para, sei lá, R$ 900, 600 ou 350 milhões?

A explicação para o fracasso de Eike em praticamente todos os negócios em que ele se meteu tem uma matriz, e, por incrível que pareça, não está fora, mas dentro dele. Eike, rejeitado pelos pais, convive com uma carência absurda. Quando comparado ao talento do pai Eliezer Batista, ele vira pó. Isso o destrói e não o larga como o sobrenome, ou uma tatuagem.

Dizem as más línguas que o pai do empresário, ex-ministro de Minas e Energia, deixou tudo mapeado para o filho usufruir. As minas, as melhores localizações para logística e distribuição de minérios, instalação de portos e métodos de escoamento de materiais pesados.

O pai construiu, e, a julgar pelas escolhas, Eike, o filho, destruiu.

A carência de Eike é a responsável pela necessidade profunda de carinho que transparece. Ele precisa estar cercado de bajuladores, garotas de programa, pessoas que sorriem na lógica perigosa de que “quando acaba o dinheiro, acaba o amor”.

Até o negócio que Eike montou para a atual mulher, Flávia Sampaio, que com ele concebeu o filho do casal, Balder, de 3 anos, deu com os burros n’água.

Nada deu certo. Por isso o apelido “dedo ruim”.

Ele se autodenominou de “X”. Ele é o “x” da questão.

Além da necessidade de ser paparicado, Eike Batista foi consumido por sua vaidade. No filme de Taylor Hackford, “Advogado do Diabo”, tem uma sequência  matadora, tornou-se clássica.

Depois do personagem interpretado por Keanu Reeves, Lomax (repare o “x”), ter passado tudo de ruim que você possa imaginar, chega o final da película e a trama parece solucionada.

Eis que um jornalista o aborda e suplica por uma entrevista. Só mais uma. Ele promete fama, e chega a dizer que Lomax é “uma estrela”,  e por isso precisa aceitar o convite.

Lomax aceita dar a entrevista no dia seguinte. O jornalista se transforma no “diabo” (como na vida real!) e cunha a frase:

– Vaidade. Com certeza, é o meu pecado predileto.

A vaidade destruiu Eike

A sua megalomania casada com a do ex-governador Sérgio Cabral deu ruim. A Operação Eficiência diz que Eike depositou US$ 16,5 milhões em favor de Cabral. E Cabral, por sua vez, deu vida boa para o empresário fixar a obra do Porto do Açu. O governo estadual vendeu para o senhor “X” um terreno avaliado em R$ 1,2 bilhão por R$ 37,5 milhões.

Além disso, foi noticiado na época que moradores foram removidos em 3 dias de forma desumana e truculenta.

Eike nunca foi muito dedicado aos estudos, desde que cursava os bancos escolares na Alemanha, onde nasceu sua mãe, e não concluiu nenhum curso superior. Hoje, amarga cela comum  no presídio Bandeira Estampa, no Complexo de Bangu, um “inferno” com capacidade para 541 presos e abriga 422. São contraventores, suspeitos de envolvimento com a milícia e quem não tem ligação com facções criminosas.

Um calor terrível, as celas têm 15 metros quadrados, beliches de concreto, sem vaso sanitário, só um buraco no chão que serve de banheiro e um cano com água fria para o banho representam um cenário aterrorizante.

Na sua rede social, a mulher Flávia tenta incentivar o marido com a frase “Deus tem um propósito até nos dias mais difíceis”,  com a hashtag #ForçaEikeEstamosComVocê ela transparece sua solidariedade. A ex-mulher Luma de Oliveira também confia na fé de Eike e que ele vai superar “tudo isso”.

Se ele fosse um de nós, estaria sofrendo. Como ele é um “personagem de conto infantil” ou um “protagonista de cinema”, tudo pode estar sendo sentido de uma forma diferente. Quem sabe? Afinal, ele queria tanto ser notícia e estar rodeado de atenções, não é exatamente o que está acontecendo? Talvez não como ele imaginasse, mas não se fala outra coisa no país do que em “Eike Batista e o seu inacreditável destino”.

Ele aceitou a piscadela do Diabo, e o Diabo fez a parte dele. Só saberemos a contrapartida do empresário após o seu primeiro depoimento.

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