Campanha de sangue: brasileiros contra brasileiros motivados por discordâncias políticas

Jair Bolsonaro e Fernando Haddad. Foto: Agência Brasil

Jair Bolsonaro e Fernando Haddad. Foto: Agência Brasil

Está crescendo aceleradamente o número de casos de agressões nas ruas do país motivadas por preconceitos e opinões divergentes sobre política. A temperatura aumentou tanto que exigiu dos dois candidatos à Presidência da República que vão disputar o 2º turno, Jair Bolsonaro, do PSL, e Fernando Haddad, do PT, pronunciamentos públicos sobre os crimes. Ambos falaram esta semana sobre agressões na campanha eleitoral e fizeram apelos contra a violência.

Bolsonaro divulgou à noite mensagem de texto em uma rede social. “Dispensamos voto e qualquer aproximação de quem pratica violência contra eleitores que não votam em mim. A este tipo de gente peço que vote nulo ou na oposição por coerência, e que as autoridades tomem as medidas cabíveis, assim como contra caluniadores que tentam nos prejudicar”, escreveu.

Dispensamos voto e qualquer aproximação de quem pratica violência contra eleitores que não votam em mim.(Bolsonaro)

Fernando Haddad tem sido mais insistente e acusa Bolsonaro pela escalada de ódio e se espanta com a quantidade de denúncias de casos de truculência na campanha. Ele disse que propôs um pacto de não violência. “Estamos conversando com todas as forças que queiram conter a barbárie, que está em escalada no país. Nós temos que botar um fim nessa violência. É demais o que está acontecendo”, afirmou.”Estamos recebendo mensagem de atos de violência em todo o país, alguns chegam à imprensa, outros não, além da continuidade das mentiras pelo WhatsApp e pelo Facebook. Isso precisa parar. Violência não se responde com violência”, escreveu o candidato petista em uma rede social.

Nós temos que botar um fim nessa violência. É demais o que está acontecendo. (Haddad)

Mestre Moa do Katendê

O crime emblemático da semana foi o assassinato de Romualdo Rosário da Costa, conhecido como Mestre Moa do Katendê, compositor, percussionista, artesão, educador e mestre de capoeira brasileiro

Na terça (9), Bolsonaro comentou o caso em que um simpatizante é suspeito de esfaquear e matar o capoeirista após uma discussão sobre política. Ele afirmou que o homem cometeu um excesso e lamentou o episódio.

“Pô, cara! Foi lá pergunta essa invertida… quem tomou a facada fui eu, pô! O cara lá que tem uma camisa minha, comete lá um excesso. O que eu tenho a ver com isso? Eu lamento. Peço ao pessoal que não pratique isso. Eu não tenho controle sobre milhões e milhões de pessoas que me apoiam”, disse o candidato, adversário de Haddad na corrida presidencial.

Ataque a transexual

No Rio, a transexual Jullyana Barbosa foi agredida no sábado (6) de manhã em Nova Iguaçu: “Estão usando Bolsonaro para  nos atacar”. Os criminosos agiram aos gritos de homofobia e apologia ao candidato à Presidência do PSL, Jair Bolsonaro.

Quando passava pela passarela, Jullyana começou a ser ofendida e ela conta que passou a temer o que poderia acontecer dali pra frente. “Antes de eu chegar na passarela, começaram a gritar ‘viado’, ‘lixo’, ‘tem que matar esse lixo’, ‘tomara que o Bolsonaro ganhe para matar esse lixo’. Um dos caras pegou uma daquelas barras de ferro de segurar barraca e bateu na minha cabeça. Cai ao lado da Dutra. ‘E estou cheio de marcas. Botei a mão no pescoço e vi que estava cheio de sangue”, contou.

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